Lata d’água na cabeça, lá vai Maria,
Vão Marias, Antonias, Chicas, tantas mais.
Lá vai um dia, outro dia, mulher do mundo, carregadora de ilusões.
Marias tantas, na capital, de sol a sol, sem sal.
Marias esquecidas, lembradas pela arte de sonhar, nunca deixar…
Marias sem nomes, roubados, esquecidos, deixados na poeira da estrada.
Marias guerreiras, parideiras, parteiras, felizes, ou quase.
Marias famosas, estampadas nas capas de revistas, largadas no chão.
Marias sagradas, adoradas em altares irmãos.
Marias somente, sem sobrenomes, pretensões
Marias do dia, outras da noite,
Apenas Marias,
Amadas, deixadas, encantadas,
Sempre Marias,
Eternizadas,
Virgens Marias e Marias virgens
Que povoam o espaço sem fim.
Mais uma Maria a cada dia,
Nome abençoado,
Imagem sagrada, sangrando.
Para sempre, apenas Maria.

Por Sofia Mathias

Autora Sofia Mathias

Poeta de alma, Sofia Mathias descobriu-se escritora em um momento de dor e reclusão. As palavras trouxeram respostas para suas indagações. Autora de três livros de poemas, De Corpos e Almas e De Choros e Luas, além de coautora do livro Da Janela. Fez parte de uma Antologia de poemas pela editora Chiado e teve seu primeiro livro prefaciado pelo escritor Jorge Amado, pelo qual recebeu o prêmio da APCA de Revelação em Literatura. Formada em Letras pela Universidade de São Paulo e em Comunicação pela FAAP, colaborou em projetos da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. Hoje, ministra cursos de Escrita Criativa na FUNCADI, juntamente com Ana Maria Mello, dá aulas de redação para vestibular e é orientadora e redatora de TCCs de diferentes faculdades.

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